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Para quando a utilização da Cannabis como Medicamento?

por dicasdefarmaceutica, em 12.01.18

 

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Já falei AQUI mais do que uma vez nesta plantinha e dos seus usos terapêuticos já utilizados em vários países.

Não é uma decisão fácil de tomar: como é que se legaliza a Marijuana? Durante anos, foi uma droga consumida pelos seus efeitos psicoativos e fisiológicos, nomeadamente, por provocar bom humor, euforia, relaxamento e aumento do apetite.

 

Apesar de tudo isto, os seus efeitos terapêuticos estão provados e a 10 de dezembro de 2013, o Uruguai foi o primeiro país do mundo a legalizar o cultivo, a venda e o consumo da cannabis. Também no Canadá, Dinamarca, Argentina e México o seu uso é legal para fins medicinais.

No entanto, noutras partes do mundo, o simples porte pode levar a longas penas de prisão, especialmente em partes da Ásia Oriental e no sudeste asiático, onde a venda de cannabis pode levar a uma pena de prisão perpétua ou mesmo de execução.

 

Em Portugal, a discussão está instalada há já algum tempo e parece que ainda não temos conclusões. Além da discussão sobre o seu uso terapêutico, trata-se também de um assunto político e económico. No Canadá, por exemplo, o maior fabricante de Marijuana (Canopy Growth Corp) é cotada na bolsa de Toronto, na área da saúde.

Portugal já tem várias plantações de cannabis, autorizadas para exportação. Existem em Évora, na região do Alqueva e, mais recentemente, em Cantanhede (feita pela empresa canadiana Tilray). Estão muitos milhões de euros envolvidos nestes negócios.

Como é que funciona? As plantas são produzidas em solo português, são transformadas em pó e enviadas para vários países, para produção de medicamentos.

 

O Conselho Nacional da Política do Medicamento deu o seu parecer e os especialistas, juntamente com a Ordem dos Médicos, concluiram que “há forte evidência científica da eficácia do uso de cannabis e seus derivados, não só no alívio da dor crónica em adultos e como anti-emético no tratamento de cancros, mas também na redução da espasticidade (aumento de contracções musculares), na esclerose múltipla e no controlo da ansiedade”.

Acrescentaram ainda que, apesar de ser “com moderada evidência, a cannabis poderá ser usada na melhoria do sono em pessoas com apneia obstrutiva do sono, fibromialgia, anorexia por cancro ou stress pós-traumático, e em glioma (tumor cerebral)”.

 

Como farmacêutica e com todos estes factos, penso que o mais razoável seria:

1 - Utilizar a cannabis unicamente como medicamento. Isto claro está, após aprovação do mesmo pelas entidades competentes.

2 - Não utilizar a cannabis  na sua forma original, isto é, “fumada”. Não faz sentido autorizar que se fume erva. Isto equivale a proibir a possibilidade do auto-cultivo da planta, mesmo que seja para fins terapêuticos.

3 - Não negligenciar os potenciais riscos do consumo de cannabis, nomeadamente desenvolvimento de dependência, esquizofrenia e outras psicoses, além de agravamento da dificuldade respiratória e bronquite crónica.

4 - A prescrição da cannabis deve ser exclusivamente médica e com regulamentação específica, como é feito com os derivados da morfina, por exemplo.

 

Tendo em conta todos estes requisitos, e quando estiver tudo legalizado pelas entidades reguladoras da saúde, será bom termos mais uma alternativa terapêutica para algumas patologias!

Para quando a utilização da cannabis como medicamento?

 

 

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publicado às 17:24

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Já falei aqui no blog várias vezes do meu "Produto do Ano" 2016 favorito: o FreeStyle Libre da empresa Abbott.

Infelizmente, até à data, são poucos os diabéticos em Portugal que têm usufruído deste sistema, pois os acordos nunca mais chegavam e estava difícil a comparticipação. Contudo, conheço alguns doentes que têm a sorte de poder utilizá-lo e estão muito satisfeitos, com uma vida de melhor qualidade, que é o que se pretende com estas doenças crónicas.

 

Esta semana, marcada pelo Dia Mundial da Diabetes que se assinalou ontemtudo mudou: os doentes com diabetes tipo 1 vão ter disponível o FreeStyle Libre comparticipado. Ainda não é para todos, mas já é um bom avanço nas negociações.

Em comunicado, o Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento), revelou "ter concluído as negociações que se traduziram na comparticipação em 85% do dispositivo FreeStyle Libre num acordo com a empresa farmacêutica Abbot que prevê o tratamento no primeiro ano de 15 mil pessoas com diabetes de tipo I, uma doença autoimune que implica injeções diárias de insulina".

O comunicado refere ainda que "todas as crianças com mais de quatro anos serão beneficiadas com este dispositivo".

  

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"O FreeStyle Libre é uma ferramenta inédita na medição dos níveis de glicose para pessoas com diabetes, estando indicado essencialmente para pessoas com diabetes que necessitam de fazer diariamente várias picadas dos dedos para controlar os níveis de açúcar, incluindo crianças entre os 4 e os 17 anos.

Composto por um sensor com apenas 35mm x 5mm (semelhante a uma moeda de 2 euros) e com duração de até 14 dias, este sistema é colocado na parte posterior do braço e permite medir os níveis de glicose intersticial, de forma simples, fornecendo resultados instantâneos sobre os valores de glicose e indicadores de tendência. Após uma hora da sua colocação no braço, o FreeStyle Libre inicia a leitura da glicose, tratando a informação que recolhe e identificando tendências.

A grande inovação do FreeStyle Libre está no facto de, numa leitura sem dor e em apenas um segundo, a pessoa com diabetes obter informações relevantes sobre o presente (glicemia atual), sobre o passado e o futuro. Esta vantagem inovadora deve-se ao historial dos valores de glicose até oito horas antes da determinação e setas de tendência de glicose que são disponibilizados e que mostram se estão a subir, a descer ou constantes, o que permite que a pessoa com diabetes antecipar a tendência de evolução através desta determinação, ajudando a prevenir episódios de hipoglicemia (glicose baixa) e melhorando a sua qualidade de vida."

 

Isto sim, é um grande avanço para os milhões de diabéticos espalhadas por todo o mundo. Medir os níveis de glicose sem picar os dedos todos os dias, sem tiras de teste e sem sangue é o sonho de qualquer pessoa portadora desta doença.

 

Só para lembrar: em Portugal a doença atinge mais de 13% da população, correspondendo a mais de um milhão de portugueses, sendo que a este número acresce mais de dois milhões de pré-diabéticos. 

Vamos aguardar a comparticipação do FreeStyle Libre para todos os diabéticos!

 

 

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publicado às 09:43

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A inteligência artificial dominou a edição deste ano da Web Summit. Cada vez mais surpreendente, este evento atrai gente de todas as idades e de todas as partes do mundo.

A competição de Pitch é um dos momentos altos do Web Summit. Com a Altice Arena praticamente lotada, as três startups finalistas subiram ontem ao palco para apresentarem os seus projectos em menos de cinco minutos.

 

A vencedora está ligada à saúde, aos medicamentos, e por isso é que estou a falar dela aqui no blog. Chama-se LifeinaBox a empresa francesa que venceu o concurso de startups da Web Summit, com um minifrigorífico para medicamentos.

 

Viajar sem preocupações de saúde é agora possível. A Lifeina desenvolveu um frigorífico portátil (Life in a Box), que permite transportar medicamentos a temperaturas entre dois e oito graus centígrados. Quem trabalha na área da saúde, sabe a importância da temperatura para preservar as características dos medicamentos. Quem é diabético dependente da insulina, sabe também das dificuldades existentes para transportar a insulina durante as viagens. O caso dos diabéticos é o mais evidente, mas existem muitos outros medicamentos a necessitarem de refrigeração.

 

O minifrigorífico vem com uma app, que monitoriza a ingestão da medicação, avisando quando for a hora certa. Além disso, através da aplicação, também é possível acompanhar a carga da bateria e a temperatura do frigorífico.

 

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Fiquem com o filme desta empresa em destaque neste Web Summit. Parabéns LifeinaBox e até para o ano!

 

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publicado às 15:40

Em Saúde, nem tudo é "Preto no Branco"

por dicasdefarmaceutica, em 24.10.17

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Hoje, vou presentear-vos com um artigo que escrevi para a revista "Inominável" que saíu este mês. Já agora, dêem AQUI uma "olhadela" na revista. Vai valer a pena!

 

Na saúde, assim como na vida, nem tudo é "preto no branco"

 

Na vida, prevalecem os aspetos cinza, aqueles que parecem ser difíceis de resolver e que, muitas vezes, parecem não ter uma solução lógica.

Assim como na vida, também com a saúde existem muitos aspetos cinza. Era tão mais fácil se a expressão "preto no branco" se aplicasse aos ramos da Saúde. São ramos onde não existem certezas absolutas. A arte de curar não é uma ciência exata como a Matemática, não é tudo "preto no branco".

Porque é que isto é assim? Porque cada paciente é único, único na forma de apresentação da doença, único no desenvolvimento dos sintomas e também único na resposta terapêutica ao tratamento instituído. 

 

Além disso, também na investigação científica e na procura de novas terapias, nem tudo é "preto no branco". Por vezes, uma hipótese ou um tratamento parece ser o mais correto  à luz dos conhecimentos que temos naquele momento e mais tarde, vemos que a verdade (o correto) é diferente daquela que achamos ser a verdade antes.

 

Como não é tudo "preto no branco", seria muito importante que toda a gente tivesse consciência que para tratar de assuntos de Saúde, existem profissionais especializados e procurar soluções na internet ou no "vizinho" não é a forma mais correta de alcançar os objetivos. Pode acontecer, um dado conselho resultar hoje e o mesmo não ser o aconselhado para o problema que poderá surgir a seguir.

 

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São comuns relatos de pacientes que passaram a tomar determinados medicamentos, a partir de recomendações de vizinhos, amigos ou parentes. Os perigos desta prática são reais e graves e é uma grande preocupação para todos os profissionais de Saúde. Porquê?

- Porque nem sempre o mesmo sintoma é de uma mesma doença;

- Porque nem sempre o medicamento que aliviou o outro, vai aliviá-lo a si.

- Porque nem sempre pode tomar os medicamentos dos outros, pois podem interferir com a sua medicação crónica, diminuindo o seu efeito ou tendo efeitos secundários inesperados.

- Porque um medicamento mal usado pode mascarar alguns outros sintomas e retardar o diagnóstico de uma doença grave.

- Porque as pessoas são diferentes, as indicações são diferentes e as doses são diferentes.

A automedicação é um grave problema de Saúde Pública, em Portugal e em muitos países.

Não se automedique! Um medicamento na dose errada pode ser tóxico e pode matar.

 

Falo de medicamentos, mas é bom também estar atento aos suplementos alimentares e às conhecidas "mezinhas". Também aqui, nem tudo é "preto no branco". 

Sabia que o "tão na moda" Aloé vera pode alimentar o desenvolvimento de tumores? E que o Ginseng pode aumentar a incidência de dores musculares, quando utilizado ao mesmo tempo que os medicamentos para o colesterol? Então e a "inofensiva" camomila, que pode interagir com os anticoagulantes orais e provocar hemorragias ou nódoas negras? Claro que, juntamente com estes factos, estes produtos também têm os seus benefícios mas, sobretudo em termos de Saúde, "cada caso é um caso".

 

Não se esqueça nunca que, quando falamos de Saúde, nem tudo é "preto no branco"!

 

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publicado às 16:42

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Foi ontem entregue no Centro de Congressos de Lisboa, o Prémio João Cordeiro - Inovação em Farmácia.

"O Prémio João Cordeiro – Inovação em Farmácia pretende apoiar e premiar projetos originais, no âmbito da intervenção e do conhecimento em Saúde, que promovam o espírito de inovação e desenvolvimento nas farmácias."

 

Não costumo falar deste género de iniciativas, mas hoje faz todo o sentido falar deste Prémio com o nome do ex-presidente da Associação Nacional de Farmácias, pois os vencedores deste ano têm no tema duas das minhas grandes paixões: Farmácia e Viagens.

O vencedor da edição 2017 do Prémio João Cordeiro foi o projeto "Rede de Farmácias Amigas do Viajante”. Parabéns!

 

Trata-se de um projeto da responsabilidade do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade da Beira Interior.

"Aproveitando a rede de farmácias comunitárias e o conhecimento especializado do farmacêutico, o projeto pretende apoiar o viajante na prevenção da doença através de um aconselhamento adequado, fácil e ágil, com recurso a uma aplicação móvel."

Vejam o vídeo da apresentação desta ideia fantástica, que vai ser concretizada:

 

 

 

 

Todos nós gostamos de ideias inovadoras com valor para a sociedade portuguesa. Este prémio tem uma vertente que me agrada particularmente, que é o facto de não se destinar apenas a farmacêuticos, mas sim a todos aqueles, independentemente da área de conhecimento, que possam acrescentar valor às Farmácias e à Saúde dos portugueses.

 

Cada vez que se aproximam as férias, escrevo sobre viagens e como garantir uma viagem em segurança em termos de saúde (ver AQUI um exemplo). Felizmente, dentro de pouco tempo, irei também dar notícias sobre esta "Rede de Farmácias Amigas do Viajante". Vamos aguardar...

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publicado às 09:54

O papel do farmacêutico na Saúde Sexual dos portugueses

por dicasdefarmaceutica, em 04.09.17

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Hoje celebra-se o Dia Mundial da Saúde Sexual. Qual o papel dos farmacêuticos neste ramo da saúde tão importante?

 

Quando se fala de Saúde Sexual, está sempre presente a contraceção e neste campo,  todos nós, farmacêuticos, temos um papel primordial. Na maior parte das vezes, é na farmácia que são feitas as primeiras perguntas sobre determinado método e são tiradas todas as dúvidas.

Seja pelo medo de uma gravidez indesejada, pelo medo de apanhar alguma doença sexualmente transmissível ou mesmo pelo simples facto de não estar a fazer bem qualquer coisa, a insegurança é uma constante quando falamos de contraceção.

 

Qual o papel do farmacêutico na contracepção?

- Estudar muito bem todos os métodos contracetivos disponíveis.

- Quando vende um contraceptivo, questionar se é a primeira vez que a/o utente o está a utilizar e tirar todas as dúvidas sobre o mesmo.

- Realçar que só um uso correto e regular de contraceção permite reduzir o risco de falha do método.

- Solicitar à utente que reporte qualquer situação não habitual que surja.

- Saber encaminhar para o médico, quando é caso disso.

 - Sem tabus e se for caso disso, informar que caso haja uma falha, existe ainda a possibilidade de fazer contraceção de emergência, para evitar uma gravidez não desejada. Este é um assunto em que o papel do farmacêutico é muito importante. Aconselho a leitura de um post que já fiz sobre este assunto (ver AQUI).

- Colaborar com as entidades locais na formação dos mais novos no tema "Saúde Sexual".

- Em resumo, assegurar uma utilização cada vez mais correta, segura e eficaz dos métodos contracetivos.

 

Em termos de Saúde Sexual, também a disfunção erétil é assunto diário nas nossas farmácias. A farmácia é aquele espaço sem barreiras, que tira as dúvidas e dá conselhos sobre estes assuntos, considerados quase "secretos" para tanta gente. É bom frisarmos que faz parte da Saúde Sexual, ter uma vida sexual ativa e a disfunção erétil é um problema de saúde que, como todos os outros, deve ser resolvido.

A disfunção erétil pode aparecer em qualquer fase da vida e pode dever-se a vários fatores: cansaço, stress, hábitos tabágicos, medicação, desiquilíbrios hormonais, etc...

Consoante a causa, também aqui o farmacêutico pode ajudar e ter um papel ativo, seja explicando ao utente a necessidade de alterar alguns hábitos, seja aconselhando algum suplemento ou a ida a uma consulta médica para administração de medicação específica.

Também é fundamental, o acompanhamento do tratamento prescrito pois, muitas vezes, não é na primeira nem na segunda tentativa, que se vê o sucesso da terapêutica instituída.

 

Para finalizar, é sempre bom lembrar que a saúde sexual e reprodutiva diz respeito tanto a homens como a mulheres!

"As normas de direitos humanos obrigam os Estados a respeitar, proteger e concretizar o direito à saúde sexual e reprodutiva, bem como assegurar que os cidadãos têm a oportunidade de participar ativamente no desenvolvimento de políticas de saúde e a tomar decisões individuais - nomeadamente, determinar se e quando ter filhos, bem como proteger o direito de todos à saúde sexual e reprodutiva, assegurando a não violência nos relacionamentos e proporcionar informação e educação aos mais jovens."

 

Se tem dúvidas, não hesite, fale com o seu farmacêutico!

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publicado às 09:30

"Tudo o que é demais, cheira mal!"

por dicasdefarmaceutica, em 10.04.17

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Já ouviu esta expressão? É verdade em quase tudo, e na saúde também. Vamos a três situações que nunca parecem demais, mas que também exigem algum equilíbrio e bom senso. São elas: alimentação, higiene e exercício físico.

 

1. Alimentação

Já em vários posts falei dos exageros e da terrível obsessão por uma "alimentação saudável". Ainda há dias partilhei no Facebook um artigo sobre este assunto (ver AQUI) e as opiniões são unânimes: equilíbrio é a palavra-chave.

Vou dar dois exemplos: o exagero no consumo de sementes e achar que a fruta se pode comer à vontade.

As sementes são importantes para o organismo, sobretudo devido à quantidade de fibras que contêm, mas não somos "pássaros" e não devemos abusar pois, quando consumidas em excesso, pode causar mal-estar, como flatulência ou até mesmo oclusão intestinal (nos casos mais graves). Normalmente, uma ou duas colheres de sementes por dia são suficientes, havendo sempre necessidade de saber se quem as consome não tem problemas intestinais.

A fruta? Vem o verão e as mesas enchem-se de frutas apetitosas. A fruta é um excelente alimento, rico em vitaminas, fibra, antioxidantes e frutose (açúcar da fruta). O problema é que a frutose, quando consumida em excesso, é transformado em gordura (pelo fígado)  e armazena-se, sobretudo, na região abdominal. Se a pessoa tiver problemas intestinais, por exemplo, a frutose não é eliminada e pode até causar obstrução das artérias. Pode também alterar o equilíbrio dos eletrólitos, sobrecarregando os rins. Existem algumas frutas que têm mais açúcar do que outras, mas o ideal é sempre não exagerar e ter como regra, comer cerca de cinco porções diárias de fruta e legumes...aí está o equilíbrio. Não é por ser fruta que se pode encher uma taça de uvas ou melão e comer até "encher o bandulho".

 

2. Higiene

Agora é que é pior: será que higiene a mais também pode fazer mal? E não é que faz mesmo? Vou também falar de mais dois exemplos: os chamados sabonetes antibacterianos e escovar os dentes com força para tirar melhor a sujidade acumulada.

Os sabonetes antibacterianos não devem ser usados diariamente porque, além de afastarem as bactérias más, também afastam as boas, muitas delas necessárias para o equilíbrio da flora normal da pele. Estes sabonetes e geles de lavagem devem ser aconselhados apenas a quem trabalha nas áreas da saúde e a quem viaja para destinos com deficientes condições sanitárias.

Relativamente aos dentes, lavar "com toda a força" e com escovas rijas, pode provocar desgaste dentário, hemorragia gengival e, ainda por cima, não ficam mais bem lavados por isso. O ideal é usar uma escova de cerdas suaves, uma pasta pouco abrasiva, não fazer força durante a lavagem e também não vale a pena usar muita pasta. O tempo médio de escovagem recomendado é de dois minutos.

 

3. Exercício físico

O exercício físico passou a ser "receita" de todas as especialidades médicas e, segundo a minha opinião, muito bem: "Mexa-se pela sua saúde!"

Mesmo assim, também este, só é saudável se a sua prática for controlada e adaptada a cada pessoa. Estudos recentes apontam, por exemplo, para maior risco cardíaco para quem faz ultramaratonas. Andar e correr faz muito bem, mas com moderação, adaptado à idade e à condição física.

Normalmente, aconselha-se um treino de 45 a 60 minutos para quem treina duas a três vezes por semana; já quem o faz todos os dias, é melhor reduzir para 20 ou 30 minutos. Claro que isto depende de caso para caso, mas a "moda" do exercício físico pode não dar bom resultado, quando é feito sem nenhum controle.

 

Como já dizia a minha avó: "Tudo o que é demais, cheira mal!"

- Coma de forma saudável e equilibrada! Coma (quase) de tudo em pequenas quantidades!

- Tome banho todos os dias, mas deixe-se de querer tirar todas as bactérias do seu corpo!

- Faça exercício físico de forma moderada e divertida! Mexa-se todos os dias e a sua saúde agradece!

 

 

 

 

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publicado às 07:44

E se a Televisão o ajudasse a gerir a sua Saúde?

por dicasdefarmaceutica, em 08.04.17

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Decorreu esta semana em Lisboa, o Portugal eHealth Summit, um evento de dimensão internacional, cujo tema se centralizou no processo de transformação digital da Saúde.

Foram três dias de debates, conferências e entrevistas sobre diversos temas relacionados com a inovação de sistemas de informação, interoperabilidade, telesaúde, segurança e proteção de dados, big-data, apps e mobilidade, e-procurement, e-commerce, literacia em saúde, robótica, cloud, entre outros.

 

Um dos temas abordados foi o aproveitamento da televisão, como meio privilegiado para chegar aos mais idosos, àqueles que não usam nem nunca vão usar o telemóvel e que não têm acesso à internet. Para estes, a televisão é, muitas vezes, a sua única companhia. Vamos aproveitar isso para os ajudar em temos de acompanhamento da sua Saúde!

A este respeito, Henrique Martins, presidente da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, adiantou: “A televisão é muito abrangente e mais indutora de comportamentos. E sabe quando as pessoas estão a olhar para ela, porque ou mudam o canal ou sobem o som. Nós temos muitas pessoas sozinhas em casa e o nosso objetivo é levar a rede de saúde a casa das pessoas e potenciar soluções digitais para que possam estar mais acompanhadas. O concurso é complexo, demorará seis a nove meses, porque são empresas de grande volume. O que queremos é que as três operadoras de televisão concorram todas para terem este serviço: ligar a box da TV aos serviços de saúde e mais tarde ter um canal do Serviço Nacional de Saúde [SNS]”.

 

Se a televisão estiver ligada ao número de utente, será fácil esta comunicação através de mensagens, perguntas, lembretes e muitas outras utilidades em termos de saúde. A televisão pode, por exemplo, lembrar a hora da medicação ou o horário da próxima consulta; pode até registar os sinais vitais, em que as pessoas podem responder com o comando.

 

Estou a escrever isto e estou a lembrar-me de uma situação que me surpreendeu no ano passado numa visita a São Tomé. Num plano totalmente diferente, sabem que existem umas horas do dia em que a televisão é um autêntico serviço público? Olhamos para o écran e o que vemos são listas de nomes de pessoas, avisando de consultas, cirurgias, exames médicos, idas a tratamentos, etc...Fiquei surpreendida e pensei: porque não? Através desta "caixinha mágica" pode mesmo fazer-se muita coisa e chegar a muita gente. 

 

Estes projetos são de extrema importância e utilidade para quem vive fora dos grandes centros, em zonas rurais, onde muitas vezes só chega mesmo a televisão. A Telemedicina pretende acompanhar os doentes (sobretudo os portadores de doenças crónica) em casa, à distância e tornar o Serviço Nacional de Saúde acessível a todos.

 

Como é que isto pode funcionar? O doente está ligado ao SNS, através da box da televisão. Os dados inseridos pelo doente seguem para o call center clínico, composto por uma equipa de técnicos de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos) que fazem a gestão dos dados em tempo real e, em função do estado de saúde do doente, é emitido um alerta no sistema de monitorização e analisado o encaminhamento necessário. O médico especialista faz a avaliação dos dados e, em casos graves, pode marcar consulta ou direcionar para as urgências.

Este sistema pode, além de manter mais controlados os doentes, evitar idas desnecessárias às urgências ou, pelo contrário, atuar em tempo real, quando é necessário.

 

Parabéns a todos que estão a tornar este projeto possível!

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publicado às 19:00

Turismo acessível para todos

por dicasdefarmaceutica, em 21.03.17

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Quem gosta de viajar, já pensou de certeza nos milhões de pessoas que, devido às suas necessidades específicas, nomeadamente os deficientes e os mais idosos, não podem deslocar-se por falta de condições e informação.

É a pensar nestas pessoas que está a ser desenvolvida a primeira plataforma ibérica na área do turismo acessível: a TUR4all. Esta plataforma, que já está a funcionar em Espanha, vai facilitar o planeamento das viagens em Portugal e Espanha destas pessoas com necessidades específicas.

 

A TUR4all disponibiliza informação objetiva e atualizada sobre todas as condições de acessibilidade de hotéis, monumentos, museus, transportes, restaurantes com menus em braille, entre outras.

 

Quando viajamos pelo mundo, vemos muitos locais onde é fácil perceber que a acessibilidade é uma preocupação e que qualquer pessoa poderá desfrutar do local. Cidades como Barcelona, Estocolmo ou mesmo Londres, pelas suas condições de acessibilidade, captam turistas de todas as taxas etárias e também aqueles com dificuldades motoras ou visuais, pois sabem que quase todos os monumentos, transportes, hotéis e restaurantes, estão preparados para eles.

Sabiam que é muito fácil um deficiente motor movimentar-se em Las Vegas e que até existem viagens preparadas para que possam aventurar-se até ao Machu Picchu? 

 

Pois é, o nosso país, com a quantidade de turistas e com a quantidade de locais que tem para mostrar, tem que se preocupar mais com as pessoas que são, por uma razão ou por outra, "diferentes". Por acaso, no mês passado, deparei-me com um problema: queria levar uma pessoa deficiente a uma casa de fados, daquelas mais conhecidas, e nenhuma delas tinha acesso facilitado. Acham normal? Acabei por ir, mas rezando para que não lhe desse vontade de ir à casa de banho, pois seria impossível descer aquela escada...

 

A TUR4all está a ser desenvolvida numa ação conjunta entre a Accessible Portugal, a Fundação Vodafone Portugal e o Turismo de Portugal com o apoio da ENAT - European Network for Accessible Tourism, em colaboração com a PREDIF em Espanha, apoiada pela Fundação Vodafone Espanha.

 

A TUR4all vai estar disponível em várias línguas a partir de setembro, em website e aplicação móvel. Esta aplicação não vai tornar Portugal mais acessível, mas vai informar os locais que têm essa preocupação. Todos ficaremos a ganhar...

 

Fica já prometido para próximo, um post com algumas das aplicações deste género espalhadas pelo mundo.

 

 

 

 

 

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publicado às 17:46

Pessoas felizes adoecem menos

por dicasdefarmaceutica, em 20.03.17

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Escolhi esta imagem porque a felicidade desta vendedora de fruta está estampada naquele sorriso. Deve ter muita saúde...

 

Cuidar das emoções é essencial para cuidar da nossa saúde, atrevo-me mesmo a dizer que é quase tão importante como os tais três pilares que estou sempre a falar: alimentação, exercício físico e sono.

 

Emoções "más", como o medo, a tristeza, a raiva, a frustração, a inveja e outras, quando vividas muitas vezes, funcionam como tóxicas para o nosso organismo e vão torná-lo doente. 

Não são só as doenças como a ansiedade ou a depressão que são provocadas por estas emoções "más"; elas também podem potenciar outras doenças, como ataques cardíacos, acidentes vasculares, úlceras de estômago, alterações glandulares, cancro e muitas outras. 

Além disso, quando o nosso pensamento só se centra em coisas más, a recuperação das doenças é muito mais complicada e as emoções condicionam a cura de muitas delas. Está provado que o sistema nervoso e o sistema endócrino estão envolvidos "de mãos dadas" nas respostas imunológicas do organismo e, por isso mesmo, na cura de muitas doenças.

 

A neurociência já disse: "Pessoas felizes adoecem menos!" Quando as nossas emoções são positivas, deixamos de nos desgastar e achar que tudo de mau nos acontece e que o mundo é verdadeiramente hostil. Pessoas felizes, não só adoecem menos, como, quando estão doentes, têm uma recuperação muito mais rápida. Isto é evidente em muitas doenças e o cancro é uma delas.

Quanto mais grave for a situação, mais importante é o positivismo e a esperança na cura; toda a nossa energia deve estar centralizada na cura e não na doença.

 

De certeza que estão a pensar que hoje estou muito lamechas e isso não é muito habitual. Normalmente, falo de medicamentos, de ciência pura e muito pouco de emoções e energias, pois não é esta a minha área. Será que esta parte mais emocional não deveria ser a "área" de todos nós? Acredito mesmo que sim.

 

É tudo muito bonito, mas como é que temos só emoções boas e "deitamos fora" as más? Não sei bem, mas temos que fazer um esforço. Todos sabemos o que é felicidade, esperança, alegria, gratidão, dádiva, amor...é só pôr em prática. Tudo isto são emoções positivas e, por isso mesmo, curativas.

Quando estamos alegres, brincamos, rimos, produzimos hormonas da felicidade e sentimo-nos com mais saúde. Não é por acaso que às vezes, com uma simples conversa animada com um amigo, aquela dor que nos atormentou todo o dia, desaparece. Já sentiram isto?

A dádiva e a gratidão são dois sentimentos que também melhoram a nossa saúde e o nosso bem-estar e não podemos viver sem eles. As nossas emoções ficam "ao rubro" quando conseguimos dar algo importante a alguém, nem que seja um sorriso, pois não falo aqui de coisas materiais, apesar destas também nos fazerem felizes em muitas ocasiões. E a gratidão? Que importante que é sermos gratos por aquilo que temos, aqui sim, focamo-nos só nos pontos positivos e tentamos pôr os negativos "para trás das costas".

O Amor é a emoção mais importante da vida e quem ama, adoece menos. Adoece menos porque ama a vida, ama as coisas simples, ama a família, ama os amigos, ama a natureza, ama uma simples conversa ou simplesmente olhar para o mar ou para uma flor que nasceu ao acaso no jardim  ao pé de casa.

 

E quem não consegue ser feliz? O que pode fazer para adoecer menos? Tem mesmo que procurar rodear-se de pessoas positivas, refletir, conhecer pessoas novas e outras realidades. Dar e receber pode estar bem perto de nós, "na rua ao lado", é só procurar. Sair da zona de conforto e afastar as tais emoções "más" deve ser o foco.

 

Se está doente, todos estes conselhos ainda são mais importantes. Ame a vida, procure novas emoções, focalize-se na cura e peça ajuda! Não se "feche na sua concha"!

 

Além de todo este "blá-blá", existem algumas atividades que ajudam a "curar" emoções, como o yoga, a meditação ou mesmo uma aula animada de zumba no ginásio ou uma caminhada ao ar livre. O importante é fazer uma escolha baseada nos nossos gostos e naquilo que nos sentimos bem, rodeados de pessoas que nos fazem felizes.

 

Não se esqueçam: "Pessoas felizes adoecem menos! Sejam felizes!"

 

 

 

 

 

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publicado às 09:17

Imagens

Algumas das imagens presentes no blog são retiradas da Web. Na impossibilidade de as creditar corretamente agradeço que, caso alguns dos autores não autorize a sua publicação, entre em contato, para que as mesmas sejam retiradas de imediato.

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A informação contida neste blog não substitui o aconselhamento médico ou farmacêutico. O objetivo do blog, é informar sobre vários assuntos ligados à saúde em geral, e à farmácia em particular. Os vários temas são abordados de uma forma não exaustiva, acessível ao público em geral.


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