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A ligeireza com que se tem falado de hiperatividade infantil nestes últimos anos, tinha que levar a estas notícias: milhares de crianças portuguesas, até aos 14 anos de idade, consumiram em 2015 mais de cinco milhões de calmantes.

Parece quase impossível, mas estes são os dados do relatório de 2015 sobre a saúde mental em Portugal, da Direção Geral da Saúde (DGS).

 

E agora, de quem é a culpa? Dos médicos? Dos pais? De todos, menos das crianças, que têm todas o dever de ser bem comportadas, calminhas, boas alunas, para um dia entrarem na universidade de sonho dos papás e serem "adultos com sucesso"...

 

Claro que eu também tenho filhos e também quero que eles tenham sucesso e quero, sobretudo, que sejam felizes. E agora dizem: "pois é, mas os teus sempre foram calminhos..." Talvez sim, mas quando eram crianças, brincavam muito, jogavam à bola com os amigos, brincavam às casinhas e ao "faz de conta", praticavam muito desporto e não passavam todos os fins-de-semana agarrados aos livros e aos trabalhos de casa.

E nos intervalos do estudo, sentados na secretária, também não se deslocavam para o sofá para jogar no iPad ou para falar com os amigos no facebook.

Tudo deve começar na mudança de hábitos, e os hábitos que no presente estão a ficar "enraizados" na nossa sociedade, não são de certeza os mais saudáveis para as nossas crianças. Lembrem-se que ser ativo não é ser hiperativo!

 

Como farmacêutica e sabendo que estes psicofármacos que são utilizados para tratar a hiperatividade até podem causar atrasos no desenvolvimento do Sistema Nervoso Central das crianças, questiono-me como são tão prescritos pela classe médica. Podem dizer que é por pressão dos pais, mas isso não me parece desculpa. Aliás, fiquei chocada ao ler num jornal de ontem as declarações de uma pedopsiquiatra que dizia que tal acontecia porque os médicos "não têm tempo para realizar uma melhor avaliação dos sintomas". Isto quer dizer que receitam psicofármacos às crianças apenas baseados em sintomas e sem confirmação do diagnóstico? Não quero acreditar nesta versão e tenho a certeza que isto não é o que se passa com os colegas desta Sra. Dra. que teve este desabafo...

 

O fármaco mais utilizado nestes casos é a famosa "Ritalina"(Cloridrato de metilfenidato). Este medicamento, famoso nos Estados Unidos, já não é receitado a algumas crianças na Europa, como as francesas.

 

A bula deste medicamento é bastante ilucidativa, por isso, vou deixar aqui algumas passagens desta bula:

 

Para que é utilizado o Cloridrato de metilfenidato?

"- Ritalina LA é utilizado para tratar a Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA).

- É utilizado em crianças e adolescentes entre os 6 e os 18 anos de idade e em adultos.

- É apenas utilizado após serem testados tratamentos que não envolvem medicamentos, tais como aconselhamento e terapia comportamental e que tenham sido insuficientes."

...

"Este medicamento é utilizado como parte de um programa de tratamento que geralmente inclui:

- terapia psicológica

- terapia educacional

- terapia social."

...

"Tratamento a longo prazo

Ritalina LA não necessita de ser tomada para sempre.

Se toma, ou se a sua criança toma, Ritalina LA há mais de um ano, o seu médico deve parar o tratamento pelo menos durante um ano."

 

Dúvidas? Agora vou falar para os papás: antes de acharem que o vosso filho é hiperativo e de pedirem "Ritalina" ao Sr. Dr., vejam se todas as terapias já foram ensaiadas. E lembrem-se que começar a tomar um comprimidinho por dia é muito prático, mas depois tirar esse comprimidinho da rotina da criança, pode ser mais complicado.

 

Todos queremos o melhor para as nossas crianças e não há quem queira mais para os seus filhos do que os próprios pais, por isso, vamos todos trabalhar para que os dados deste relatório anual da DGS sejam diferentes no próximo ano.

 

Deixem estes calmantes para aquelas crianças que têm mesmo necessidade de os tomar...essas sim, serão mais felizes quando controladas com estes fármacos! Falem com os pediatras dos vossos filhos; só eles vos podem ajudar num diagnóstico correto e nas terapias adequadas a cada caso.

 

Deixem as crianças brincar e serem felizes!

 

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publicado às 09:59

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