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"Um patologista estuda as origens, os sintomas e a natureza das doenças, nomeadamente as reações básicas das células e tecidos a estímulos anormais provocados pelas doenças, mas também as respostas específicas de órgãos e tecidos especializados a estímulos definidos."

"Patologista é o especialista responsável pelos diagnósticos anatomopatológicos dentro de uma estrutura hospitalar ou de uma comunidade".

 

Isto são algumas definições do que é um patologista mas, na realidade, pouca gente dá importância a esta especialidade, tantas vezes "escondida" atrás das bancadas dos laboratórios. Análises laboratoriais, biópsias, citologias, autópsias fazem parte do dia-a-dia destes especialistas.

 

Já ouvi chamarem os patologistas clínicos de "médicos dos médicos" e tal não deixa de ser verdade, pois eles ajudam os médicos no diagnóstico, no tratamento e no seguimento deste mesmo tratamento, fazendo parte integrante de todo o processo que acompanha os doentes, desde a entrada num hospital ou numa consulta até à sua alta.

 

Durante dois meses, patologistas de todos os continentes votaram para eleger o patologista mais influente de 2015 e o eleito foi um português. Trata-se de Manuel Sobrinho Simões, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) e patologista do Hospital de S. João.

 

Uma das razões indicadas para a nomeação do Professor Sobrinho Simões foi, precisamente, ter contribuído, "mais do que qualquer outra pessoa, para a visibilidade da patologia na Europa". Patologistas de todo o mundo seguem as suas regras e rotinas diárias, por exemplo, no diagnóstico clínico do cancro da tiróide.

 

Ouvi-o falar na televisão, li algumas entrevistas e percebi porque é que o Professor Sobrinho Simões foi o eleito: na simplicidade com que fala sobre o assunto, sente-se a paixão por aquilo que faz e, sobretudo por aquilo que tão sabiamente transmite aos outros, deixando que os seus conhecimentos e práticas atravessem fronteiras e cheguem a todo o mundo.

 

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publicado às 21:34

Seringa que não pica

por dicasdefarmaceutica, em 03.12.15

 

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Vai começar a ser comercializada uma seringa que não necessita de picar a pele para administrar os fármacos, uma ideia originalmente nascida na Universidade de Coimbra em 2008.

A tecnologia tem por base ultrassons de alta frequência para criar um laser portátil, assegurando assim a administração de fármacos sem qualquer tipo de dor e sem deixar marcas. Trata-se de uma seringa a laser.

Esta primeira aposta da LaserLeap Technologies, começará a ser utilizada no mercado da estética, onde já foi testada com sucesso.

 

Além das aplicações em cosmética, prevê-se que venha a ser utilizada em doenças dermatológicas, como o cancro de pele, na administração de vacinas e noutras aplicações.

 

Para quem tem medo de agulhas, surge agora esta alternativa para administrar medicamentos, que pode mudar a qualidade de vida de muitas pessoas. De qualquer forma, ainda é algo não portátil, tratando-se de uma máquina em nada parecida com uma simples seringa.

Os responsáveis da empresa continuam a investigar, querem levar esta ideia longe e têm "o sonho de constituir um aparelho portátil que caiba na palma da mão para as pessoas poderem utilizar em casa".

 

Daqui por poucos anos, parece que as "picas" vão deixar de preocupar os mais medricas...

publicado às 20:50

O "elixir da juventude" dos diabéticos

por dicasdefarmaceutica, em 02.12.15

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A metformina é o antidiabético mais utilizado no combate à doença. Trata-se de um medicamento muito acessível e parece que, além de ajudar a reduzir os níveis de glicose no sangue, tem outras propriedades milagrosas relacionadas com o abrandar do envelhecimento.

Mas porquê a metformina? A substância aumenta o número de moléculas de oxigénio libertadas na célula, o que parece estimular a robustez e a longevidade. Quando investigadores belgas testaram a metformina em ratos, a sua esperança média de vida aumentou perto de 40% e os seus ossos também ficaram mais fortes.

Em 2014, investigadores da Universidade de Cardiff descobriram que pacientes com diabetes que tomavam metformina viviam mais tempo do que os não diabéticos. 

 

Além destas propriedades, a metformina também é largamente utilizada em tratamentos de emagrecimento, pois tem a capacidade de reduzir significativamente o Índice de Massa Corporal (IMC). Além disso, conhecem-se nesta droga, propriedades anticancerígenas.

 

Trata-se de um medicamento que não tem muitas contra-indicações, sendo a mais relevante, apesar de rara, o aumento de ácido láctico, podendo conduzir a acidose láctica, pelo que deve ser administrada com precaução a pessoas com insuficiências renal, hepática, cardíaca ou pulmunar.

 

São várias as universidades do mundo a pesquisarem sobre este assunto. Os testes dos cientistas belgas, feitos com zebras, mostraram que a metformina, além de retardar o seu envelhecimento, tornavam estes animais mais saudáveis. Para mim, está é a grande descoberta, pois o que interessa mesmo é a qualidade de vida e não a quantidade de anos que vivemos.

 

Envelhecer é de certeza o maior fator de risco para muitas doenças, como o Alzheimer, a diabetes ou o cancro. Existem muitos mecanismos  eficazes para atrasar o envelhecimento como exercício físico, nutrição cuidada, redução do stress e sono reparador. Essas são as "receitas" mais eficazes para manter as pessoas saudáveis enquanto envelhecem.

Mesmo assim, para muitas pessoas, seria mais fácil tomar um ou dois comprimidos por dia...Será a metformina uma medida profilática para pessoas que não sofrem de diabetes? Vamos aguardar mais notícias sobre este suposto "elixir da juventude"...

publicado às 19:34

 

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As feridas que não cicatrizam são um problema que preocupa enfermeiros, médicos e toda a comunidade que trabalha na área da saúde. Estas são, normalmente, designadas de feridas crónicas, sendo frequentemente resistentes a terapias convencionais.

Este problema surge frequentemente em portadores de algumas doenças crónicas, como a diabetes, e as pessoas portadoras destas feridas têm, muitas vezes, a sua qualidade de vida comprometida, com dor constante, mau-estar, mobilidade reduzida e até infecções recorrentes.

 

Foi um produto totalmente inovador para tratamento de feridas crónicas que venceu este ano o 17º Prémio do Jovem Empreendedor atribuído pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), com apoio do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Trata-se do primeiro produto da Exogenus Therapeutics, o Exo-Wound, está em fase final de desenvolvimento e permite tratar feridas crónicas com uma terapia que deriva do sangue do cordão umbilical. O tratamento não provoca rejeições e após 10 dias de aplicação é 50% mais eficaz do que as terapias concorrentes, segundo a empresa. Esta terapia será mais eficiente do que os tratamentos convencionais pelo facto de utilizar células que não são vivas e que não induzem respostas imunitárias.

 

 

Devemos reconhecer sempre o talento destes jovens empreendedores que, aqui neste cantinho da Europa, "puxam pela cabeça" e surgem com estas ideias magníficas, que tanto podem ajudar a restante comunidade científica e, sobretudo, as pessoas que sofrem com alguns males, como este das feridas crónicas.

PARABÉNS EXOGENUS!

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publicado às 12:49

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É sempre bom partilhar convosco boas notícias, daquelas que sabemos que ajudam os doentes a ter uma vida melhor e a conviver melhor com a sua doença.

 

A Merck, empresa líder em tecnologia e ciência, foi reconhecida na categoria Competitive Strategy Innovation and Leadership na edição de 2015 dos European Frost & Sullivan Awards. A Merck recebeu esta distinção pelo seu dispositivo eletrónico inovador para administração da hormona de crescimento, que simplifica o tratamento diário e contribui para a adesão dos doentes à terapêutica. 

 

Chama-se Easypod® e é o primeiro aparelho eletrónico de injeção da hormona do crescimento, para a administração diária da terapia recombinante para o tratamento da ausência desta hormona.

Como os utilizadores são principalmente crianças desde os 7 anos até à idade adulta, a adesão à terapêutica é fundamental e ajuda, não só os doentes, mas também os seus cuidadores.

O sistema revolucionou a forma de administração diária, tornando as injeções mais fáceis, menos dolorosas e mais seguras, através da tecnologia que permite a opção de ajustar a velocidade e profundidade da injeção.

 

O Easypod® distingue-se também pelo sistema de gravação de dados de cada injeção, contribuindo assim para um acompanhamento mais eficaz do tratamento, tanto para os médicos como para os pacientes e cuidadores. O aparelho confirma a administração da dose e apresenta o número de injeções que restam na embalagem, o que permite ao médico monitorizar a reação do doente ao tratamento. Isto também permite uma redução dos custos, ao evitar dosagens incorretas e desperdícios de medicamento.

 

Parabéns à Merck por mais esta distinção!

publicado às 21:34

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Parece o sonho de todos os preguiçosos: os benefícios da prática de exercício físico contidos num comprimido. Já me estou a lembrar de algumas pessoas...

 

Este tem sido também o sonho de muitos cientistas empenhados nesta descoberta.

Parece que, finalmente, apareceram alguns estudos que permitem concluir que estamos perto da concretização deste sonho.

 

Pela primeira vez, num estudo publicado no jornal "Trends In Pharmacological Sciences" foi possível mapear exatamente o que acontece ao nível dos músculos após a prática intensa de exercício físico.

Num outro estudo, publicado no jornal "Cell Metabolism" foram observadas mais de mil alterações musculares que não estavam até então relacionadas com a atividade física. Parece que é possível criar "comprimidos de exercício" que contêm substâncias que imitam (pelo menos parcialmente) os efeitos fisiológicos do exercício no corpo humano. Podem ser responsáveis pelo desenvolvimento de novos vasos sanguíneos e pelo aumento da capacidade do corpo face ao esforço físico. 

 

Não fiquem para aí "aos pulinhos" de contentamento, pois estes comprimidos não foram concebidos para os preguiçosos e não substituem o exercício físico em todas as suas vertentes.

Durante a prática de atividades físicas, o ritmo cardíaco sobre, o sangue flui mais rápido...nenhuma pílula faria isso. Os benefícios da prática de exercício físico nunca serão substituídos por comprimidos.

 

Estes comprimidos estão a ser concebidos a pensar, sobretudo, nas pessoas com reduzida capacidade muscular, quando o exercício regular não é viável. Falamos, por exemplo, de pessoas com paralisia, com dificuldades de locomoção após um AVC, após uma lesão, etc...

 

Por isso, amiguinhos preguiçosos, têm de continuar a ir ao ginásio!

publicado às 18:04

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A colite ulcerosa é uma doença inflamatória crónica do intestino grosso (cólon), de causa desconhecida. O processo inflamatório ocasiona ulceração do revestimento interior do cólon, daí a designação de colite ulcerosa.

 

Ainda não existe cura para esta doença. Existem, contudo, vários tratamentos que permitem melhorar as queixas e, inclusivé, induzir a remissão dos sintomas por um longo período de tempo.

 

O número de pacientes que sofrem de condições gastrointestinais crónicas tem vindo a aumentar e as pesquisas no sentido de oferecer abordagens inovadoras em termos de tratamento, também têm sido uma constante. Felizmente, existem novidades!

 

O Nestlé Institute of Health Sciences (NIHS) iniciou um processo de licenciamento com a Lipid Therapeutics para obtenção dos direitos exclusivos do desenvolvimento e comercialização do LT- 02, uma nova abordagem terapêutica que tem apresentado muito sucesso no tratamento da colite ulcerosa moderada.

Apesar do tratamento mais comum desta patologia ser o Ácido 5-aminossalicílico (mesalazina), é estimado que 40% dos pacientes que seguem esta medicação continuam a sentir crises persistentes, tendo de recorrer frequentemente ao uso de corticosteróides para o alívio dos sintomas.

O LT- 02 será uma terapia adicional ao Ácido 5-aminossalicílico, sendo que o composto pode não só ajudar a curar as úlceras mas também a recuperar a superfície da parede do cólon.

 

Esta inovadora solução pode contribuir para reduzir a reincidência do problema. A fase 3 dos ensaios clínicos será já no próximo ano, nos Estados Unidos, pelo que ficamos a aguardar novidades...

 

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publicado às 14:39

Aspirina pode ajudar na luta contra o cancro

por dicasdefarmaceutica, em 05.09.15

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A "velhinha" Aspirina de que já vos falei AQUI no blog, continua a "dar cartas" e prevê-se que venha a ajudar no tratamento do cancro.

 

Um estudo recente publicado na revista "Cell" refere que dar aspirina a pacientes com cancro, em simultâneo com imunoterapia, pode aumentar significativamente a eficácia do tratamento.

 

"Os resultados de uma série de ensaios clínicos de imunoterapia mostraram que em seres humanos verifica-se um controlo imunológico do cancro, mas que, em muitos casos, é bloqueado pelo próprio cancro. Com o objetivo de explorar os mecanismos responsáveis por esse bloqueio, os investigadores produziram culturas de células tumorais com células do sistema imunitário, nomeadamente células dentríticas e macrófagos, importantes para iniciar a resposta das células T, que normalmente destroem o tumor. O estudo foi feito usando o rato como modelo, células de cancro da pele, mama e de intestino e imunoterapia anti-PD-1".

 

O cientista português Caetano Reis e Sousa é um dos responsáveis deste estudo e sublinhou:

“Verificámos que havia uma inibição dessas células imunitárias pelas células tumorais, o que nos levou a descobrir que essas células tumorais segregavam prostaglandina E2 (PGE2) que tinha esse efeito. A partir daí mostrámos que, se a pessoa, por vias genéticas ou farmacológicas, inibir a produção de PGE2 pelas células tutorias leva a um controlo imunológico. Uma das drogas que pode ser usada para bloquear a produção da PGE2 é a aspirina, assim como outros inibidores das cicloxigenases, que são as enzimas que levam a essa produção."

 

O uso da Aspirina poderá ser uma maneira de aumentar a potência destas novas drogas,  diminuindo os efeitos secundários das mesmas.

 

Contudo, convém referir que tudo isto ainda está em investigação e que ninguém deve tomar Aspirina com base nestes resultados.

A Aspirina tem muitos efeitos secundários e por isso mesmo, nunca deve ser administrada sem o conselho médico, sobretudo em doentes com doenças como o cancro.

publicado às 13:36

Futura Vacina Universal para a Gripe

por dicasdefarmaceutica, em 27.08.15

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Uma vez que o vírus da gripe muda constantemente, a atual vacina não dá proteção a longo prazo e todos os anos, a partir do próximo mês, começa a corrida às farmácias e aos centros de saúde para a administração da vacina anual para o referido vírus.

 

As notícias recentes dizem que esta realidade pode mudar dentro de três anos.

Os cientistas centraram os seus estudos numa parte da molécula do vírus que sofre menos alterações e descobriram uma nova vacina, dita universal, contra todos os tipos de gripe.

Esta nova vacina deverá também ajudar a prevenir pandemias de vírus da gripe, capazes de passar de porcos ou pássaros para o ser humano.

 

A vacina já foi testada e mostrou-se eficaz em animais; falta agora confirmar esta eficácia nos humanos.

 

Relativamente a esta novidade, podem consultar os artigos publicadas há dois dias nas revistas científicas "Nature" e Science".

publicado às 16:01

Universidade da Flórida a caminho da cura do Lúpus

por dicasdefarmaceutica, em 30.06.15

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O Lúpus é uma doença autoimune crónica, que não tem limites e pode danificar qualquer parte do corpo, desde a pele, articulações e até órgãos.

Afeta oito a dez vezes mais o sexo feminino e normalmente é diagnosticada entre os 18 e os 55 anos.

 

É uma doença que aparece e desaparece como se se tratasse de um"fantasma" que persegue aqueles a quem foi diagnosticada. Quase todos conhecemos pessoas com lúpus: num mês parecem estar muito bem, como se não tivessem qualquer doença e no mês a seguir, as dores, o mau-estar, o aspeto da pele, parece que tudo muda, levando, por vezes, a fases de internamento mais ou menos prolongadas.

 

Até agora, os medicamentos mais utilizados no tratamento dos sintomas da doença são: anti-inflamatórios (diminuem a inflamação e a dor, nas fases agudas), corticóides (nas formas mais graves da doença, auxiliam os sintomas cutâneos e articulares), imunossupressores (diminuem a resposta inflamatória auto-imune que existe no lúpus), imunoglobulinas e algumas terapêuticas biológicas recentes.

Todos estes medicamentos auxiliam no alívio dos sintomas, mas não curam o lúpus.

 

Uma grande novidade chegou recentemente de uma Universidade da Flórida: a combinação de dois fármacos conseguiu reverter o lúpus em ratinhos.

Muito resumidamente:

Um dos marcadores do lúpus são as células T, as quais estão hiperativadas nos doentes com lúpus. Células T hiperativadas equivalem a aumento da inflamação e a mais danos físicos.

Relacionando a glicólise (conversão de glicose em energia) e o metabolismo mitocondrial (produção de energia da célula) com o metabolismo das células T, os investigadores combinaram dois inibidores metabólicos para reverter a doença.

Estes dois fármacos são o 2DG (em desenvolvimento) e a metformina (muito utilizada nos doentes diabéticos e aprovada pelo FDA) e fazem o bloqueio da glicólise e do metabolismo mitocondrial.

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O ensaio em ratos foi um êxito. A prova em humanos vai ser feita em setembro de 2015. Vamos aguardar pelas próximas notícias...

publicado às 19:36

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A informação contida neste blog não substitui o aconselhamento médico ou farmacêutico. O objetivo do blog, é informar sobre vários assuntos ligados à saúde em geral, e à farmácia em particular. Os vários temas são abordados de uma forma não exaustiva, acessível ao público em geral.


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