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Adesivo pode ser alternativa à vacina da gripe

por dicasdefarmaceutica, em 01.07.17

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Cientistas do Instituto de Tecnologia da Georgia e da Universidade Emory, nos Estados Unidos, desenvolveram uma vacina contra a gripe em forma de adesivo com microagulhas.

Pressionando este adesivo sobre a pele, as microagulhas penetram, libertando os vírus inativados, que fazem parte do processo de imunização. O adesivo é aplicado na zona do pulso, durante 20 minutos. Foram feitos testes em 100 voluntários e a imunização funcionou, quando comparada com a vacina tradicional.

 

Quais as vantagens desta vacina da gripe em forma de adesivo?

- Sistema indolor (para quem não gosta de injeções...).

- Pode ser aplicada em qualquer lugar (casa, emprego, etc...).

- Não necessita conservação a baixa temperatura (frigorífico), o que é uma grande vantagem também no transporte e para os países menos desenvolvidos.

- O adesivo pode ir diretamente para o lixo, após o seu uso.

 

Contudo, 80% dos voluntários a quem foi testada a vacina, confirmaram que no local onde foi aplicado o adesivo, a pele ficou vermelha, com ligeira irritação e sentiram comichão durante alguns dias.

 

Os cientistas afirmaram que a vacina funciona, mas ainda serão necessários alguns testes clínicos para que seja aprovada e comece a ser uma alternativa à vacina da gripe atual, em forma de injeção. 

 

 

 

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publicado às 14:26

 

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Hoje dirijo este post a alguns leitores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) criou o Programa de Formação Especializada em Doenças Cardiovasculares para os Clínicos destes países, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), inserido no Programa Gulbenkian Parcerias para o Desenvolvimento.

 

Caso estejam interessados, podem enviar as  candidaturas à SPH até dia 27 de Janeiro. Este programa de formação visa proporcionar estágios de três meses a médicos e/ ou investigadores clínicos dos PALOP em instituições portuguesas reconhecidas na área cardiovascular.

“Os estágios podem vir a desenvolver-se em vários domínios, nomeadamente, através da Observação da prática clínica para adquirir conhecimento de diagnóstico precoce e tratamentos das doenças cardiovasculares, Hipertensão Arterial, Diabetes e demais fatores cardiovasculares; Observação de aspetos de Educação para a Saúde e Prevenção da Doença Cardiovascular; Desenvolvimento de projetos de investigação clínica em parceria com os centros clínicos portugueses anfitriões; entre outras”, como refere o Prof. José Mesquita Bastos, Presidente da SPH.

 

O Programa de Formação Especializada em Doença Cardiovascular dirigido a clínicos dos PALOP pretende dar resposta à maior prevalência de fatores de risco cardiovascular e maior incidência da doença cardio e cerebrovascular, nestes países. Por outro lado, pretende estabelecer laços mais fortes de cooperação e desenvolvimento entre centros clínicos portugueses e dos PALOP.

Segundo ­­­­Maria Hermínia Cabral, diretora do Programa Gulbenkian Parcerias para o Desenvolvimento, “o estabelecimento desta parceria vai permitir reforçar a qualificação dos profissionais de saúde dos PALOP numa das áreas clínicas emergentes nestes contextos, criando uma base futura entre clínicos e instituições dos PALOP e Portugal que permita uma resposta mais eficaz às novas necessidades das populações”.

 

 

 

 

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publicado às 09:31

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Boas notícias para todos, sobretudo para aqueles que sabem o que é um cancro da cabeça e pecoço, com todas as consequências inerentes à doença.

 

O primeiro medicamento oncológico português começou a ser desenvolvido em Coimbra, em 2010 pela empresa Luzitin.

Os ensaios clínicos tiveram início há cerca de dois anos e meio em doentes para os quais já não existiam soluções terapêuticas para combater o cancro instalado. Esta primeira fase decorreu no Porto, no Instituto Português de Oncologia (IPO) e no Hospital da CUF, com doentes voluntários, com o objetivo de avaliar a segurança (tolerância) e o efeito antirumoral (eficácia) do Redaporfin. É este o nome do fármaco fotossensibilizador, produzido pela primeira vez no nosso país. Podemos orgulharmo-nos de termos gente tão válida a trabalhar na investigação de novos medicamentos e de novos métodos na área da saúde.

 

Os resultados deste ensaio foram surpreendentes. Segundo Sérgio Simões, presidente da Luzitim,"o ensaio foi realizado num grupo restrito de doentes, nos quais se registaram resultados muitíssimo interessantes e que provam que o medicamento é seguro e não desencadeia efeitos secundários severos". Salientou ainda que, no ensaio clínico, foi possível mudar a vida de alguns doentes que estavam em cuidados paliativos, impossibilitados de comer e falar, devido às características do tumor, e que após a terapêutica já conseguiam comer e falar. Fabuloso!

 

Segundo Lúcio Lara Santos, responsável pelo ensaio clínico, do IPO de Porto, além do sucesso no tratamentos dos cancros da cabeça e pescoço, abriu-se a possibilidade de tratamentos para outros tumores sólidos.

Os próximos passos do desenvolvimento do Redaporfin envolvem a realização de um ensaio clínico em colangiocarcinoma, um tipo raro de cancro nas vias biliares, geralmente diagnosticado numa fase muito tardia da doença e que tem vindo a aumentar em Portugal e no mundo.

 

Parabéns a todos que estão a trabalhar nesta investigação! Resta-nos agora  aguardar mais uns anitos para termos o Redaporfin no mercado, a curar muitos doentes.

 

 

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publicado às 19:47

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Hoje trago um assunto polémico, que traz muitas dúvidas e interrogações.

 

Têm sido muitos os trabalhos a provarem que a homeopatia não funciona. Ainda recentemente, foram publicados estudos no Reino Unido e na Austrália (ver AQUI) que concluíram que a homeopatia só tem efeito placebo.

 

Agora, nos Estados Unidos, por determinação da FTC ( Comissão Federal do Comércio), os medicamentos homeopáticos vão ter de esclarecer na sua etiqueta que “não há nenhuma evidência científica” de que funcionam. Também terão de informar que não foram aprovados por peritos médicos.

 

Mesmo nas campanhas de marketing, estas informações devem estar contemplados, sob a pena dos fabricantes dos medicamentos em causa serem acusados de publicidade enganosa.

 

O FTC emitiu uma nota técnica afirmando que os medicamentos homeopáticos, para obterem aprovação, se devem submeter às regras aplicadas aos outros medicamentos. Parece-me bem!

 

 

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publicado às 18:52

Nobel da Medicina vai para o Japonês Yoshinori Ohsumi

por dicasdefarmaceutica, em 04.10.16

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E o Prémio Nobel da Medicina foi para mais um japonês, desta vez pela ajuda dada à compreensão do processo designado por autofagia.

 

Mas afinal, o que é a autofagia? Trata-se de um processo celular já descoberto há muitos anos, também designado de autofagocitose, que dá origem à degradação de componentes da própria célula. Podemos dizer que tem a ver com a forma como as células reciclam o seu conteúdo. Este termo (autofagia) vem do grego e significa "comer-se a si mesmo".

 

Porque é que este processo é tão importante? A autofagia ajuda o corpo a destruir ou a reciclar os componentes celulares não desejados. Quando os vírus ou bactérias, por exemplo, invadem as células, elas destroem-nos através deste processo. Isto pode ser aproveitado para combater doenças como o cancro, doenças imunológicas, doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e outras.

 

Foi este senhor japonês que encontrou um método para identificar e caracterizar os genes fundamentais para a autofagia. Mostrou que este processo é controlado por várias proteínas e que cada uma delas regula uma fase distinta do processo.

Parece muito simples, mas na realidade, ainda há muito a investigar até "colher os frutos" desta descoberta. Este Prémio Nobel revela que estamos cada vez mais perto de "desvendar os segredos" da autofagia. Quando tal acontecer, o tratamento de muitas doenças poderá ser alterado e a cura de muitas delas será uma realidade.

 

Como referiu a investigadora do Porto, Rquel Lima, que já há alguns anos estuda a relação entre a autofagia e o cancro, "sabendo de que modo as alterações na autofagia se associam a determinada doença e compreendendo como a autofagia é regulada, será possível desenvolver novas estratégias e fármacos que permitam melhorar o tratamento de muitas doenças".

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publicado às 18:53

Dia Mundial da Doença de Alzheimer

por dicasdefarmaceutica, em 21.09.16

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Hoje, Dia Mundial de Alzheimer, não vou falar das "tristezas" desta doença, mas sim de uma notícia cheia de esperança para tantas famílias.

"Pessoas que sofrem da Doença de Alzheimer podem não ter perdido a memória e têm apenas dificuldades em recuperá-la", concluem investigadores conduzidos pelo Nobel da Medicina Susumu Tonegawa, que recentemente revelaram a possibilidade de um tratamento curar os estragos provocados pela demência.

 

Como seres humanos e ratos camundongos tendem a ter princípios comuns em termos de memória, os nossos resultados sugerem que os pacientes com a doença de Alzheimer, pelo menos nos estádios iniciais, podem preservar a memória. Ou seja há hipóteses de cura”, comentou Susumu Tonegawa à agência de notícias France Presse. A equipa de Tonegawa usou este tipo de animais geneticamente modificados para mostrar sintomas semelhantes aos dos seres humanos que sofrem de Alzheimer. Os animais foram colocados em caixas cuja superfície inferior estava eletrificada, causando uma descarga desagradável, mas não perigosa, sobre os seus membros sempre que os animais tocassem nessa estrutura. Um rato que não tem Alzheimer desenvolve comportamentos medrosos, evitando a sensação desagradável. Camundongos com Alzheimer não reagem da mesma forma, indicando que não guardam nenhuma memória da experiência dolorosa.

No entanto, quando os cientistas estimulam áreas específicas do cérebro dos animais, as chamadas “células de engramas” relacionadas com a memória, usando uma luz azul, os ratos acabam por se lembrar da sensação desagradável ou pelo menos desenvolvem comportamentos para evitar os choques elétricos.

O mesmo resultado foi observado também quando os animais eram colocados num recipiente diferente durante o estímulo, o que sugere que a memória se manteve.

Ao analisar a estrutura física do cérebro dos ratos, os investigadores mostraram que os animais afetados com a doença de Alzheimer tinham menos “espinhas dendríticas”, através das quais as conexões sinápticas são formadas. Com a repetição dos estímulos lumínicos, os animais podem incrementar o número de espinhas dendríticas atingindo o níveis dos ratos saudáveis.

“A memória de ratos foi recuperada através de um sinal natural”, disse Tonegawa, referindo-se ao recipiente que causava o comportamento de medo.

“Isto significa que os sintomas da doença de Alzheimer em camundongos foram curados, pelo menos nos estádios iniciais”, disse.

 

Esta investigação é a primeira a mostrar que o problema não é a memória, mas as dificuldades na sua recuperação. Será um processo fácil de utilizar em humanos? Parece que a cura ainda está longe, mas a esperança de um diagnóstico cada vez mais precoce, pode levar a resultados e comportamentos diferentes dos actuais.

 

A Organização Mundial de Saúde estima que em 2050 a demência afete 131 milhões de pessoas. A doença de Alzheimer é o tipo de demência mais comum, afetando entre 50% a 70% dos casos de demência a nível nacional. 

 

Neste dia, é importante lembrarmos que esta doença é uma realidade e estarmos atentos aos sintomas. Convém também lembrar que, além dos factores genéticos, o estilo de vida, a alimentação, a saúde, o exercício físico e o exercício mental ajudam a travar o avanço da doença.

 

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publicado às 20:18

O que o Brexit pode fazer aos medicamentos

por dicasdefarmaceutica, em 28.06.16

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Muita pesquisa, muitos artigos e muita informação sobre medicamentos vêm da capital britânica. A saída do Reino Unido da União Europeia terá de certeza consequências no sector farmacêutico.

 

Para já e como consequência imediata ao referendo do dia 23 de junho, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA - European Medicines Agency), agora sediada em Londres, terá que mudar de país. São já vários os países interessados em "acolher" esta Agência, que é a responsável pela introdução de novos tratamentos na União Europeia.

 

A comunidade de pesquisa britânica vê o Brexit como uma séria ameaça ao financiamento e inovação, havendo mesmo quem fale de "um desastre para a ciência britânica", principalmente porque pode impedir que jovens cientistas migrem livremente dentro da Europa, como aconteceu até agora.

 

Sabe-se que 16 por cento dos artigos de maior impacto de todo o mundo, vêm do Reino Unido, de modo que os seus pedidos de financiamento sempre foram bem recebidos em Bruxelas. A partir de agora, a investigação vinda daquela parte do globo, pode ser bem mais lenta e os novos medicamentos podem demorar a chegar.

 

A indústria farmacêutica sediada no Reino Unido já mostrou a sua preeocupação, mas empresas "gigantes" como a GlaxoSmithKline (GSK) ou a AstraZneca tudo farão para que a saída da União Europeia não afete o acesso aos medicamentos, sobretudo aos medicamentos inovadores.

 

Claro que agora só se fala do Brexit e das possíveis consequências negativas do mesmo. A incerteza na situação económica e política do país afeta todos os ramos e a indústria farmacêutica não é excepção.

Só o futuro nos dirá o que poderá acontecer e quais as verdadeiras consequências do Brexit.

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publicado às 19:45

Jogo on-line para ajudar a investigação do Alzheimer

por dicasdefarmaceutica, em 08.05.16

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A demência destrói memórias e por isso deixamos de poder partilhá-las com os nossos entes queridos. É por isso que a Deutsche Telekom, em parceria com a Alzheimer’s Research UK, a University College London e a University of East Anglia, criou um jogo para ajudar a ciência a tentar encontrar uma cura para a demência.

Chama-se "Sea Hero Quest" e é um jogo de orientação espacial. Enquanto joga, o seu jogo fica registado anonimamente numa base de dados.

 

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Um dos primeiros sintomas da doença de Alzheimer é a perda do sentido de orientação. Até agora, tem sido difícil responder à pergunta: porque é que a pessoa se perde? Será devido à doença ou ao próprio processo de envelhecimento?

Com o objetivo de criar a maior base de dados a nível mundial sobre orientação espacial, este jogo pode ajudar a ciência a desenvolver a cura desta doença e todos podemos ajudar.

 

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Este jogo está disponível para IOS e Android. Já o descarreguei em Português e é gratuito.

Faça a sua parte e ajude esta investigação! O objetivo é chegarem às 100.000 pessoas até ao final do ano, para terem uma base de dados significativa.

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publicado às 18:22

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"A nanotecnologia é a engenharia das coisas extremamente pequenas, que visa a concepção, construção e manipulação de sistemas cujas unidades fundamentais têm dimensões da ordem de 1 a 100 nanómetro. Um nanómetro (nm) é igual a 10-9 m, ou seja, cerca de 100 000 vezes mais pequeno do que a espessura de um cabelo (0,1 mm) e cerca de dez vezes o tamanho de um átomo de hidrogénio (0,1 nm). A nanotecnologia é actualmente uma área interdisciplinar cobrindo diversos tópicos e com aplicações em muitos domínios, tais como os produtos de consumo (roupas, alimentos, cosméticos), o ambiente, a energia, a electrónica e a medicina."

 

Há uns anos atrás, achei estranho que alguém fosse tirar uma licenciatura em nanotecnologia mas, na realidade, nesta fase de "turbilhão" tecnológico em que nos encontramos e dadas as suas inúmeras utilizações, trata-se de uma licenciatura que faz todo o sentido e que ainda vai dar muito que falar.

Claro que falo especificamente da nanomedicina e da sua aplicação no combate às doenças cancerígenas, nomeadamente no tratamento das mesmas.

 

Recentemente, investigadores do Centro de investigação norte-americano Houston Methodist Research Institute, mostraram com entusiasmo, os resultados obtidos em laboratório, utilizando ratinhos, de um estudo que teve a nanotecnologia como base.

Pegando num grupo de ratinhos com cancro do pulmão metastático em fase terminal, metade foram submetidos ao tratamento e a outra metade seguiu a medicação convencional. Estes últimos morreram e os outros permaneceram vivos durante mais oito meses, o que em termos humanos representaria mais 24 anos de vida.

 

Estes investigadores inventaram um método que permite que as nanopartículas penetrem dentro do cancro e libertem o medicamento nas células. O medicamento em causa é conduzido por um equipamento nanométrico, podendo atingir células cancerosas com uma precisão que não existe na quimioterapia e na radioterapia.

De uma forma simples, o método passa por camuflar uma substância (neste caso, a doxorrubicina), em cápsulas minúsculas de silicone. O silicone “esconde” o medicamento do cancro, permitindo-lhe chegar às células. Uma vez alcançadas as células, a cápsula rebenta e a droga medicinal invade a célula “má” e mata-a.

 

Dito assim, parece uma coisa muito simples, contudo, ainda faltam muitas etapas para comprovar que tal vai resultar em pleno em humanos e na luta contra o cancro.

Uma coisa é certa, estamos cada vez mais perto de descobrir a forma mais eficaz de "matar" esta doença.

 

 

 

Fonte: "Nature Technology"

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publicado às 19:01

Fases do ensaio clínico

por dicasdefarmaceutica, em 20.01.16

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Conforme prometido ontem (ver AQUI), vou voltar ao tema dos ensaios clínicos.

Ainda em relação à notícia do acidente mortal com o ensaio clínico da empresa farmacêutica Bial, o mesmo foi suspenso, por ordem da empresa, enquanto não forem apuradas as razões do sucedido.

 

Um novo medicamento é testado primeiro em laboratório e em estudos em animais. Após estes testes pré-clínicos, pode avançar para a experimentação clínica ou ensaio clínico.

 

Um ensaio clínico tem 4 fases:

Fase 1

É nesta fase que o medicamento em ensaio é administrado pela primeira vez em seres humanos. Esta fase foca-se sobretudo na segurança e tolerância do medicamento.

Começa-se por administrar doses baixas do medicamento a um pequeno número de participantes, normalmente pessoas saudáveis e voluntárias. Aos poucos, de forma a medir a resposta clínica, a dose é aumentada, sempre com a orientação e supervisão dos investigadores.

Nesta primeira fase, tudo é medido: a absorção do medicamento, o tempo que este fica na corrente sanguínea e qual a dose segura tolerável.

 

Fase 2

Nesta fase testa-se a eficácia do medicamento experimental no tratamento de uma doença ou condição médica. 

Aumenta o número de pessoas envolvidas no ensaio clínico e os participantes já são doentes com a doença que o novo medicamento pretende tratar.

Determinam-se na fase 2 as dosagens mais eficazes e também qual o método mais apropriado de administração: comprimidos, cápsulas, injecções, etc...

 

Fase 3

Nesta fase já estão envolvidos, normalmente, milhares de participantes, em vários locais e por todo o mundo.

Testam-se os resultados dos ensaios clínicos obtidos na fase 2.

Nesta fase, os ensaios são aleatórios e em dupla ocultação, ou seja, nem o investigador nem o participante sabem quem, no ensaio, está a tomar o medicamento experimental, um placebo ou um outro medicamento comparativo. Só desta forma se pode comparar o novo tratamento com o tratamento padrão já existente.

É da fase 3 que vão sair as bases para grande parte da informação que está descrita na bula dos medicamentos.

 

É entre a fase 3 e a fase 4 que é feito o registo junto da autoridade reguladora da saúde de um país, para obter aprovação para a sua comercialização. Se essa autorização for dada, o medicamento é comercializado e segue-se a fase 4.

 

Fase 4

Os ensaios clínicos da fase 4 são feitos após a aprovação regulamentar do medicamento. 

Estes ensaios envolvem normalmente milhares de indivíduos e podem decorrer durante anos, avaliando sempre os benefícios e riscos do medicamento e optimizando o seu uso.

Esta fase serve para avaliar os efeitos dos medicamentos a longo prazo.

 

É bom realçar mais uma vez que os ensaios clínicos são benéficos para os doentes e são indispensáveis na investigação.

Sem ensaios clínicos não há novos medicamentos. 

 

Se tiver curiosidade e quiser saber mais pormenores sobre o ensaio clínico da Bial, veja AQUI o artigo da Visão, que saíu hoje.

 

 

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publicado às 20:16

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